quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Textos de Regiana Antonini

QUEM ELE PENSA QUE É?( inspirada na música “ESSE TAL DE ROQUE ENROW” – Rita Lee)

REGIANA ANTONINI

EUVIRA (MÃE) E CAROL (FILHA) SENTADAS EM DUAS POLTRONAS DE UMA SALA DE TERAPIA. FALAM COMO SE ESTIVESSEM EM FRENTE A UM TERAPEUTA.

EUVIRA – Então, doutor, Minha filha Caroline...

CAROL – Carol, mãe! Só Carol, please!

EUVIRA – Agora veja bem a situação de uma mãe: a gente passa nove meses esperando uma criatura sair de dentro da gente, prepara quarto, bercinho, enxoval, quebra o pau com o marido, com a sogra, por conta do nome que a gente quer dar pra criança. Então depois de muito debate, consegue-se a aceitação de todos: Caroline! Um nome lindo, nobre! Nome de princesa! Aí, o tempo passa e essa criatura ingrata cresce e vira “Carol”! Carol não é nome, é sigla: Companhia de adolescentes rebeldes organicamente loucas!

CAROL – Ai, mãe! Vai começar!

EUVIRA – Sim, vai começar sim! Estamos aqui pra isso! Pra começar uma terapia, uma constelação familiar! Sim porque dialogar com você tá difícil pacas!

CAROL – “Pacas”? Hellô! De que planeta você veio?

EUVIRA – Não foge do assunto, não, menina! Eu disse que tá muito difícil conversar com você!

CAROL - Claro, você não me entende! Não me escuta! Não leva a sério meus problemas! É sem noção total!

EUVIRA – É que você só fala num idioma à parte: o carolêz! (IMITA) “Mãe, aí demorô: tô indo pra uma parada tipo raive, com a galera da “capú”, antes vamo bater um rango vegê. Fica tranks que a coisa é irada. Tô indo com o Roque, formô?” Não, não formou, não formou uma frase! E tem mais: agora, doutor, ela só fala desse tal de “Roque Enrow”!

CAROL – É só Roque, mãe!

EUVIRA – Minha filha, só existem 2 possibilidades para um Roque, ou ele é Santeiro, ou é Enrow! O primeiro não se aplica a ele, porque santo ele não é, nem nunca será, portanto sobrou o “Enrow” que vem num pacote escrito: “sexo, drogas e roque enrow”!

CAROL – Ai, cara, você é muito doida mãe!

EUVIRA – Eu? Imagina! Eu procuro estar por dentro, sabe, Doutor,

dessa nova geração! Faço de tudo, juro! Mas minha filha não me leva a sério, doutor! É cheia de mistério! Fala em código quando tá no telefone! Ela dança o dia inteiro e só estuda pra passar! E já fuma com essa idade, Doutor! Ela não pensa no futuro! Ela nem vem mais prá casa, Doutor! Só fica enfurnada na casa desse tal de Roque Enrow!

CAROL – É só Roque, cara! Que saco!

EUVIRA – E o pior não é isso não! Ela não teve a pachorra de levar esse rapaz lá em casa! De me apresentar pra ele! Então quando ela fala desse tal de Roque Enrow, eu penso: quem é ele? Uma mosca, um mistério? Como será a cara desse rapaz?

CAROL – Claro, seu eu levar o Roque lá em casa, você vai encher o pobre coitado de perguntas! Ele vai ficar boladérrimo! Mas meu pai conhece ele, tá legal?

EUVIRA – Tá vendo doutor? O pai dela conhece ele! Deve ter fumado muita maconha com ele, sim porque o pai da Maria Caroline é maconheiro e dos bons! Fuma um baseado de duas em duas horas, parece até remédio homeopático!

CAROL – Mãe, meu pai é que tá certo! Você fala pelos cotovelos! Parece até que engoliu uma arara!

EUVIRA – Tá vendo doutor? É assim que ela retribui o amor e o carinho que sempre dei a ela! Aliás, podemos fazer a cena? Esse troço de constelação familiar não é assim? Tem a ceninha baseada na gente, aí a gente assiste, debate e depois chega a uma determinada conclusão?

ENTRAM 2 MULHERES. UMA VESTIDA IGUAL A MÃE, COM UM CRACHÁ ESCRITO “MÃE” – VAMOS CHAMÁ-LA DE EUVIRA 2. E OUTRA COMO FILHA, TAMBÉM COM UM CRACHÁ ESCRITO “FILHA” – VAMOS CHAMÁ-LA DE CAROL 2.

EUVIRA – Ah, tá! As mocinhas já estão aqui! Ela sou eu? Impressionante como ela se parece comigo...

ATRIZ MÃE – Vocês responderam a uma série de perguntas...

ATRIZ FILHA – A partir disso, criamos uma cena, que poderia com certeza fazer parte do cotidiano de vocês...

ATRIZ MÃE – Pedimos que vocês assistam a cena para depois debaterem a mesma com o doutor...

EUVIRA – Ai, que maravilha!

CAROL – Ai que saco!

EUVIRA - Podem dar o terceiro sinal!

CAROL 2 DEITA-SE NUMA CAMA E EUVIRA 2 ENTRA CHAMANDO POR ELA.

EUVIRA 2– Maria Carolina (VÊ A MENINA DORMINDO) Dormindo?

CAROL 2 – Tô com sono...

EUVIRA 2 – “Sono”? Uma menina de 14 anos de idade, uma “DE LIMA E SILVA” não pode ter sono no meio da tarde!

CAROL 2 – Mas, mamãe, eu estou de férias!

EUVIRA 2 – Tá é chapada, isso sim! Não se esqueça que hoje é o dia do teste pra você entrar pro Colégio Santo Inácio! Sua vida vai mudar! (EUVIRA PEGA UMA ROUPA E JOGA EM CAROL). Toma: veste isso.

CAROL 2 – Mas isso é muito cafona! (VESTE)

EUVIRA – (INTERROMPE A CENA) Viu, doutor? Ela odeia meus vestidos!

CAROL – Cala boca mãe! Olha o mico!

EUVIRA – Que mico? Eu, hein! É que é bom esclarecer pro doutor que aquela roupa não era cafona, era uma roupa de grife, clássica, só isso! Desculpa aí!

EUVIRA 2 – (VOLTA P/CENA) E depois, você está lind... (T) Tá medonho! Tira! Também, seu corpinho não tá ajudando... quantos abdominais você fez hoje?

CAROL 2 – (FALA BAIXO) Nenhum....

EUVIRA 2 – Não escutei! Projete sua voz para o núcleo sonoro do quarto!

CAROL 2 – (MAIS ALTO) – Eu não fiz nenhum...

EUVIRA 2 – É por isso que você está assim, acima do peso: gorda!

EUVIRA (INTERROMPENDO NOVAMENTE A CENA) – Com licença! Eu preciso deixar claro doutor, que sempre fui muito sincera com a minha filha! Sim porque o mundo de hoje é um mundo cão, não é? Não tem espaço pra obesidade! Minha filha estava enorme nessa época! Emagreceu 1 kilo e oitocentos gramas na marra! Hoje tá linda! Um biscuit! Pode continuar! Desculpa aí!

CAROL 2 (VOLTA P/CENA) – Mamãe, eu já tô magra o suficiente...

EUVIRA 2 – “Nunca se está suficientemente magra, nem suficientemente rica”, entendeu? Você precisa fazer ginástica! Correr! Nadar! Comer mato, fazer fotossíntese! E obviamente passar no teste para entrar pro Colégio Santo Inácio! Conviver com pessoas educadas, de boa família, com objetivo na vida!

CAROL 2 – Ah, não mãe! Eu não quero entrar pra esse colégio, não quero fazer teste nenhum! Tô de férias e vou ficar de bobeira....

EUVIRA 2 – Quem fica de bobeira, de bobeira permanece! Veste essa! (JOGA UM TAIÊR NELA)

CAROL 2– (VESTE DO LADO CONTRÁRIO) – Mamãe, eu não sei vestir esse treco aqui! Tá certo assim?

EUVIRA 2 – Não! Nem o blaiser, nem essa sua cara de muxoxo verde. Bota um sorrizinho nessa sua carinha de nabo, porque uma adolescente candidata a uma vaga nesse colégio tem obrigação de ser simpática! (CAROL DÁ UM SORRISO AMARELO) Vamos aos sapatos! (ESCOLHE E JOGA NELA) – Esse!

CAROL 2 – Mas esse salto é maior que eu!

EUVIRA2 – Sim, você é uma tampa! Uma anã! Puxou a família do seu pai, porque eu, na sua idade era alta e sabia muito bem o que eu queria! Ser rica! Milionária!

CAROL2 – Então, você casou com meu pai por dinheiro? Oh... Você nunca amou papai... Eu sinto isso...

EUVIRA 2 – E eu sinto muito! Ah, toma cuidado, porque você pode ter herdado por parte dele uma certa inclinação ao vício! Sim, porque a preguiça a gente sabe que você herdou!

CAROL 2 – E o que será que eu herdei da senhora?

EUVIRA 2 – Nada. No futuro, quiçá, os meus sapatos. (PEGA BACIA C/ GELO) Vamos acordar!! Você precisa estar atenta durante a provinha! Enfia sua cara aqui!

CAROL 2 – Aí? Mas, tá cheio de gelo... eu tô com frio!

EUVIRA 2 – E eu com pressa! Anda menina! (PEGA A CABEÇA DELA E ENFIA) Um dia, você vai me agradecer!

EUVIRA (GRITA INTERROMPENDO) Parei! Não, não! Não foi bem assim! Minha filha, Caroline, enfiou a cara na bacia porque entendeu que era o melhor pra ela! Do jeito que vocês fizeram, parece até que eu sou uma mãe louca e cruel!

CAROL – Mas é exatamente isso que você é: uma mãe louca e má! Você não tem sentimentos nem por mim nem por ninguém! Você nunca me entendeu nem vai conseguir me entender, porque você só pensa em você! Pra mim, já deu! (SAI)

EUVIRA – Caroline! Caroline! Ca... (T) Viu doutor? O jeito que essa menina falou comigo? Sabe o que é isso? Má influência! E tudo culpa de quem? Desse tal de Roque Enrow! Mas eu vou dar um jeito nisso! Afinal, quem ele pensa que é?

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“EU PRECISO DIZER QUE TE AMO”

(livremente inspirado na música do Cazuza e Leo Jayme)

REGIANA ANTONINI

O TOM DA CENA É NOVELESCO ATÉ A INTERRUPÇÃO DE ALBERTO, O DIRETOR. JULIANO SAINDO COM UMA MALA E MARIA LÍVIA O SURPREENDE.

MARIA LÍVIA – Juliano...

JULIANO – Não diga mais nada Maria Lívia...

MARIA LÍVIA – Mas Juliano, eu... eu...

JULIANO – Vamos deixar como está. Vai ser melhor assim...

MARIA LÍVIA – Mas você precisa entender que...

JULIANO – Eu não preciso entender mais nada, Maria Lívia! Você deixou tudo muito claro! Somos apenas amigos... Mas eu não consigo mais morar com você... Dividir o mesmo espaço... (SOFRE) A sua alegria, a sua doçura, o seu perfume... Você... seus segredos, seus medos, seus questionamentos... Eu não agüento mais! Tudo de repente, ficou insuportável para mim... (VAI SAIR)

MARIA LÍVIA (NÃO DEIXA) – Não Juliano! Não faça isso! Não vai embora!

JULIANO – Me deixa, Maria Lívia! Me deixa! Eu sou seu amigo, não seu capacho! Eu não sou idiota, não sou palhaço!

MARIA LÍVIA – Eu sei Juliano! Me perdoa! Eu preciso te dizer...

JULIANO – Você não precisa dizer mais nada! Agora me deixa passar! Eu vou embora!

MARIA LÍVIA – Não Juliano! Olha pra mim! Não faz isso!

JULIANO – Adeus, Maria Lívia! (SAI)

MARIA LÍVIA (SE JOGA NO CHÃO) – Nãaaaaaooooo!!!! Juliano! Juliano! Eu preciso dizer que te amo! Eu te amo! Tanto...

MÚSICA. MARIA LÍVIA CONTINUA ROLANDO NO CHÃO. CHAMA “JULIANO VOLTA”! UM TEMPO ASSIM.

ALBERTO – Corta!

OUTRO TIPO DE INTERPRETAÇÃO. AGORA DE VERDADE.

CELEIDA (MARIA LÍVIA) – Até que enfim, né Alberto! Puta que pariu! Demorou pra cortar! Você queria me deixar rolando naquele chão imundo, né? Sua cara isso.

ALBERTO – Você reclama, mas na hora que vai pro ar você adora!

RUI (JULIANO) E aí, fofo? Foi boa a cena? Passei verdade?

ALBERTO – Foi maravilhoso! Você foi perfeito! (SAI)

CELEIDA – Eu não gostei! Achei muito ruim! Muito raso!

RUI – Raso? Espera aí, eu não entendi! Você está me chamando de raso?

CELEIDA – Sim, raso, pouco profundo! Aliás, não é à toa que o seu nome é Rui Pires! Sua profundidade é exatamente igual ao seu sobrenome! Um nada! Aliás, eu estou cansada de ter que ficar carregando esse elenco nas costas!

RUI – Querida veja bem: alguém disse pra você um dia que você era atriz e você, burrinha acreditou! Mas eu tô pra te dizer que você é péssima! E tem mais: só tá aqui porque é amante do Alberto, pronto, falei!

CELEIDA – Eu não sou amante do Alberto!

RUI – Ah, não? E o chá de buceta que você dá pra ele todos os dias depois da gravação é o quê? Brinde? Caridade? Não fofa, é sacanagem mesmo! E da grossa!

CELEIDA – Cala a boca, sua biba exótica e invejosa!

RUI – Biba sim com muita honra, invejosa tudo bem, assumo, mas o exótica eu não gostei! Me remeteu a um certo deboche! Principalmente vindo de uma recalcada convícta como você! Escuta aqui: tu ta me chamando de feia, ô sua magra, filhote de louva deus?

ALBERTO – (VOLTANDO) Vamos parar com esse bate boca que o nosso programa é ao vivo e já estamos voltando! Vamos pra cena seguinte. Juliano volta atrás na sua decisão. Atores se posicionem. Luz, câmera, ação!

MARIA LÍVIA SE JOGA NO CHÃO. JULIANO VOLTA COM A MALA. INTERPRETAÇÃO VOLTA A SER NOVELESCA.

JULIANO – Maria Lívia...

MARIA LÍVIA – Juliano....

JULIANO – Eu... eu pensei muito e...

MARIA LÍVIA – Como assim?

JULIANO – Eu... eu preciso te falar umas coisas... Mas não sei como começar.... É que... é muito difícil pra mim... Me dá um medo!

TELEFONE TOCA.

MARIA LÍVIA – Só um instante Juliano. (LEVANTA E ATENDE) Alô? Você? Não ligue mais para mim, por favor. Não posso falar agora! (DESLIGA) Era o Augusto. Ele insiste em retomar a nossa relação! Mas eu não quero mais! Ele me fez muito mal! Chega!

JULIANO – Chega! Eu vou embora!

MARIA LÍVIA – Espera! Eu não disse chega pra você Juliano! Eu disse chega para o Augusto e para a minha relação com ele! Você disse que queria me dizer umas coisas...?

JULIANO – Sim, mas será que você quer ouvir Maria Lívia?

MARIA LÍVIA – Com certeza, Juliano... Diga!

JULIANO – É que... bem eu... eu sempre fui seu melhor amigo...

MARIA LÍVIA – Sim, sempre... Sempre ao meu lado me ajudando, me apoiando...

JULIANO – Pois é... Quando a gente conversa, contando casos besteiras... nossa! Tanta coisa em comum... Você me chora dores de outro amor... Se abre e acaba comigo!

MARIA LÍVIA – Oh... Desculpe!

JULIANO - Maria Lívia, nessa novela eu não quero ser teu amigo! Que amigo? É que eu preciso dizer que eu te amo! Eu te amo Maria Lívia! Tanto!

JULIANO AGARRA MARIA LÍVIA. MÚSICA. UM TEMPO ASSIM.

ALBERTO – Cortaaaaa!!!!!

RUI – Puta que pariu Celeida! Ai que nojo! Tu enfiou essa sua língua animada na minha boca! Foda viu!

CELEIDA – Meu querido, era um beijo de amor!

RUI – Sim de amor e não de desentopir uma pia, sua louca!

CELEIDA – Sabe o que é isso? Falta de verdade! Você é raso! Eu não! Eu sou uma atriz intensa, meu querido! E a minha língua é tão intensa quanto eu!

RUI – Eu percebi! A intensidade foi tanta, que ela cumprimentou os meus dois rins e ainda fez um carinho no meu intestino grosso!

CELEIDA – Vem cá, você por acaso tá achando que eu me aproveitei da cena pra te beijar?

RUI – É você que tá dizendo!

CELEIDA – Mas você é muito cara de pau mesmo!

RUI – Meu bem, fique sabendo que muitas mulheres com quem contracenei tentaram me reciclar!

CELEIDA – Oi?

RUI – É, tentaram me suduzir e me levar pra cama! Você só seria mais uma!

CELEIDA – Biba metida a besta!

ALBERTO – Se posicionem! Luz, câmera, gravando!

RUI E CELEIDA VOLTAM A SE BEIJAR. TENTAM RETOMAR O AR NOVELESCO.

MARIA LÍVIA – Oh, Juliano... eu também te amo! Tanto! Tanto... Olha pra mim, meu amor!

ELA TENTA FAZER COM QUE ELE OLHE PARA ELA, CONTUDO ELE DESVIA O OLHAR.

MARIA LÍVIA – (SAINDO DO TEXTO DA NOVELA) Juliano olha para mim... Juliano, eu não estou entendendo, eu estou mandando você olhar para mim! Olha Juliano!

JULIANO – (SAINDO DO TEXTO DA NOVELA) Eu não consigo! Se eu olhar pra você, sei lá, eu... eu...

MARIA LÍVIA – Você... me ama tanto assim que não consegue me olhar?

JULIANO – Exatamente, Maria Lívia! Eu não consigo olhar pra sua cara! Eu posso até... desmaiar!

MARIA LÍVIA – Desmaiar? Como assim desmaiar?

JULIANO - Desmaiar de amor, entende?

MARIA LÍVIA – Oh, sim! Eu entendo, estou muito acostumada! Todos os homens desmaiam por mim! É que como eu sou uma pessoa muito iluminada, a minha luz ofusca as pessoas opacas... Principalmente os homens inseguros...Eles ficam cegos!

JULIANO – Cegos? Entendo! Tão cegos que não conseguem perceber como você é péssima!

MARIA LÍVIA – Péssima?

JULIANO – Péssima... péssima de ser abandonada! Não, Maria Lívia, eu nunca vou te abandonar! Vou estar sempre ao seu lado, te amando, te venerando...

MARIA LÍVIA – Que maravilha meu amor! Eu te amo tanto que sou capaz de te matar!

JULIANO – Matar?

MARIA LÍVIA - Matar de amor! Sabe o que vou fazer com você, Juliano? (COMEÇA A AGARRAR ELE) Vou te jogar naquela cama... tirar a sua camisa, arranhar a sua pele com as minhas unhas, morder o seu peito...

JULIANO – (DÁ PINTA) Pára! (RETOMA) Calma, Maria Lívia, temos todo o tempo do mundo!

MARIA LÍVIA – Não, Juliano! Eu quero você agora! Eu quero você todo só pra mim!

ELA JOGA ELE NO CHÃO E VAI PRA CIMA DELE. AGARRANDO-O. ELE ASSUSTADÍSSIMO!

JULIANO – Corta, pelo amor de Deus!

MARIA LIVIA – Cortar?

JULIANO – Esse seu cabelo! Corta! Ele tá me sufocando! Sai de cima de mim! Estou sem ar! Corta! Corta!

ALBERTO – Cooooorrrrrttttttttttaaaaaaaaaaaa!

RUI – Que merda é essa, Celeida?

ALBERTO – Eu é que pergunto: que merda foi essa que vocês fizeram?

CELEIDA – Ele não olhava para mim em cena! Tive que resgatá-lo!

RUI – Resgatar? Você quase me estuprou!

ALBERTO – E você deu pinta no meio da cena!

RUI – Eu? Nunca! Eu não dou pinta, meu querido!

CELEIDA – É verdade, ele não dá pinta! Ele é uma pinta! Aliás uma mancha! E ainda tem um negocinho lá embaixo que é uma bobagem!

RUI – Cala a boca, sua nojenta, tarada!

ALBERTO – Eu vou acabar demitindo os dois!

RUI – Olha aqui, Alberto, eu nunca fui tão desrespeitado em toda a minha carreira! Essa mulher é uma vândala, uma vampira, uma varejeira!

CELEIDA – Quer saber? Sou mesmo! Graças a Deus! Tenho vários amantes!

ALBERTO – Como é que é?

CELEIDA – Meu amor, eu sou um mito! E todo mito é assim: surpreendente, insaciável! Eu tenho emoção a flor da pele e uma sexualidade borbulhante!

RUI – E muita saliva, né fofa! Sim porque você cospe na cara da gente quando fala!

ALBERTO – Chega! Eu sou o diretor dessa merda! Exijo respeito! Porra! Hoje é o nosso último capítulo! Vamos acabar a novela em grande estilo. O público não precisa saber da baixaria que rola por trás das câmeras! Vocês, não sei como, viraram o casal queridinho do Brasil! As pessoas amam vocês! Elas abrem as revistas de fofoca e vocês aparecem lá, lindos, sorrindo, felizes da vida! E é assim que tem que ser! O casal nota 1000 do Brasil tem que ser perfeito! Esse é o preço que se paga! Queriam fama? Sucesso? Ok conseguiram! Agora, segurem a onda! Sejam apenas aquilo que o público quer que vocês sejam: a heroína doce e o galã sedutor! Façam aquilo que o público quer ver: uma linda cena de amor, um final feliz! Vocês precisam dizer que se amam! Se amam muito! Se amam demais! Eu quero um beijo de amor! Um lindo beijo de amor, pra ficar guardado na memória de todos! Vamos lá! Se posicionem! Luz, câmera, acão!

MUSICA. ELES SE BEIJAM. BLACK OUT FINAL.

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